A partir das reformas ocorridas na igreja entre 1844 e 1922, em decorrência da religiosidade do povo surgia a necessidade da criação de paróquias providas de um padre para ministrar-lhes os sacramentos e assisti-lo espiritualmente.

Desenvolvimento da Paróquia

Em falta de documentação pelo extravio do Primeiro Livro do Tombo, é difícil avaliar a vida da paróquia antes de 1879. Entretanto, pelos acentos de batizados, óbitos e casamentos, temos a relação dos párocos e a duração do paroquiato de cada um e, voltando aos acontecimentos narrados do Livro do Tombo existente, é possível destacar acontecimentos importantes no mandato de alguns deles.

1 – Padre Manoel Alves Coelho 03/02/1828 a 09/12/1929
2 – Padre Joaquim José de Oliveira 21/12/1829 a 20/10/1841
3 – Padre José Vicente Ferreira Braga 03/11/1841 a 05/06/1842
4 – Padre Felipe Vieira de Toledo 21/08/1842 a 02/10/1842
5 – Padre José Honório da Silva 02/10/1842 a 04/08/1844
6 – Padre Joaquim José de Oliveira 01/09/1844 a 23/09/1844
7 – Padre José Honório da Silva 08/10/1844 a 09/02/1845
8 – Padre Joaquim José de Oliveira 09/03/1845 a 14/08/1845
9 – Padre Pedro Nolasco Cesar 17/08/1845 a 05/03/1869
10 – Padre Francisco de Paula Toledo 05/03/1869 a 17/09/1871
11 – Cônego Bento Antonio de Souza e Almeida 17/09/1871 a 04/10/1879
12 – Padre Joaquim Antonio de Siqueira 05/10/1879 a 05/05/1890
13 – Padre Felippe Gavetosa 05/05/1890 a 29/09/1897
14 – Padre Francisco Reale 29/09/1897 a 03/04/1912
15 – Padre José Dell’ Acqua 03/04/1912 a 08/09/1914
16 – Frei Mauro de São José 08/09/1914 a 12/11/1925
17 – Frei Anselmo do Carmo 29/11/1925 a 07/01/1929
18 – Monsenhor Pedro do Valle Monteiro 02/01/1929 a 09/03/1974
19 – Padre Theófilo de Almeida Crestani de 1974 a 1978
20 – Padre José Cândido de 1978 a 1982
21 – Padre Roberto Hidalgo de 1982 a 1986
22 – Padre Romildo Silva de 1986 a 1988
23 – Padre José Judas Tadeus Rebelato de 1989 a 1996
24 – Padre Antonio Robson Gonçalves de 1996 a 1999
25 – Padre Ronaldo José de Castro Neto de 2000 a (…)

Alguns vigários e párocos se destacaram pela atuação e pelos fatos marcantes de suas administrações à frente da comunidade sambentista.

Padre Pedro Nolasco César – Seu paroquiato foi marcado por vários fatos importantes para a vida da comunidade: as primeiras Missões realizadas por Frei Eugênio Maria de Genova e seus companheiros, visita episcopal de Dom Antonio Joaquim de Mello, construção do templo da matriz, início da contrução do novo cemitério, participação na vida política da Vila e outros acontecimentos importantes.

Cônego Bento Antonio de Souza e Almeida – Durante sua permanência à frente da paróquia aconteceram as missões de Frei Caetano de Mesina e a construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Foi nessa época também que, segundo a tradição oral, o Sr. Bento da Rosa Goes, fazendeiro residente na Bocaina, realizou a façanha de ir buscar em Ubatuba o sino que lá se encontrava, vindo não se sabe de onde nem mandado por quem, destinado à igreja Matriz. Foi uma aventura nunca vista pois ele desceu a Serra da Mantiqueira com um carro de boi e, de Ubatuba, trouxe o sino que pesa 32 arrobas. Houve uma grande festa na cidade e como a igreja não tinha torre, Cônego Bento mandou erguer dois paus paralelos para sustentar o sino. Foi ainda durante seu paroquiato que a Vila de São Bento do Sapucachay-mirim foi elevada à categoria de cidade, pela Lei nº 49, de 30 de abril de 1876, com o nome de São Bento do Sapucaí.

Padre Joaquim Antonio de Siqueira – Organizou a documentação da paróquia, inventariou seus bens, os da Casa Paroquial e das capelas. Pôs em prática as determinações do Bispo no tocante aos abusos de seus antecessores que celebravam missas em capelas irregulares conforme as leis canônicas vigentes. Reorganizou as celebrações das festas, separando a parte profana da religiosa, proibindo a instalação de barracas de jogos, de vendas de bebidas e outros divertimentos nas proximidades do largo da Matriz, cuja finalidade seria angariar fundos para as obras que se achavam em andamento. Também adquiriu paramentos novos e alfaias para a igreja Matriz, a Imagem de São Bento e outros objetos necessários ao culto divino, de forma que, quando o Bispo veio visitar a paróquia, achou tudo em ordem, tendo elogiado muito o cuidado e asseio do pároco, bem como sua dedicação ao povo de um modo geral.

Padre Felippe Gavetosa – Continuou as obras na matriz e pediu ao Bispo autorização para construir a torre centra, alegando que, sem ela, a igreja mais parecia uma casa de maçonaria. Depois de uma atuação marcante na vida social e política da cidade, no início de 1898 licenciou-se por motivos que não são citados, e foi substituído pelo padre Francisco Reale.

Padre Francisco Reale – Construiu a atual igreja do bairro do Quilombo e a matriz de Santo Antonio do Pinhal. No seu paroquiato foi construído e inaugurado o altar do Santíssimo Sacramento, do lado esquerdo do altar-mor todo de mármore, comprado com o dinheiro deixado pelo Irmão Major José Maria Gomes Leite. Por Concessão de autorização da SANTA SÉ ao Bispo Dom Epaminondas Nunes D’Ávila foi concedida a graça de ALTAR PROVILEGIADO ao altar do Sagrado Coração de Jesus, em 27 de Setembro de 1911. O Padre e seu irmão, o médico Dr. Braz Reale, iniciaram a construção do prédio da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO BENTO DO SAPUCAÍ, sendo que o primeiro pavilhão foi inaugurado em 21 de outubro de 1911, pelo Bispo de Taubaté, Dom Epaminondas Nunes D`Ávila e a presença do presidente da Câmara Municipal Cel. Manuel Marcondes da Silva. Instituiu a Irmandade de São Benedito no dia 8 de Dezembro de 1897.

Pelos anos de 1820 a 1822 mais ou menos, o Padre Luiz Justino Velho Columbreiro, vigário de Pindamonhangaba, veio a estas paragens em companhia de tenente José Pereira Alves, natural de Província do Rio de Janeiro, e Antonio Monteiro de Gouveia, natural de Cunha, então a pedido destes, benzeu o lugar onde se acha a igreja de N. Sª do Rosário, doado à mesma senhora pelo sobredito tenente, sr. José Pereira Alves, para aí se levantar uma igreja, apesar da oposição do Padre Bento Leite de Mello, vigário de Pouso Alegre, depois Senador do Império. A pedido deste, o cadete João Theodoro (que fazia a guarda do Registro de Sapucaí – Mirim, também conhecida como Guarda Velha) tentou prender o padre Columbreiro. Os opositores arrancaram a cruz e a bandeira de N Sª Mãe dos Homens e hastearam no lugar da bênção a bandeira do vigário José Bento, a qual trazia o dístico: “Nossa Senhora mãe dos Homens comovei os Maus Corações”.
Passados alguns anos, os moradores, em abaixo assinado, pediram licença para levantar uma capela a São Bento fazendo o Tenente José Pereira Alves e Sua mulher, dona Ignez, a doação das terras, cuja escritura se acha no tabelionato de Pindamonhangaba, a qual obtida, levantaram a capela no lugar da atual igreja Matriz. Transladaram para aí a imagem de São Bento da antiga Guarda Velha, próximo a Santana do Sapucaí – Mirim.
Antes de ser elevada à Freguesia, foi seu primeiro capelão o Padre Bento de Tal, pago pelos moradores.
O patrimônio da Matriz limitava-se pelo Rio Sapucaí-mirim, onde faz barra com o ribeirão do Paiol Grande, pelo mesmo ribeirão até defronte o espigão em cujo cume se acha o Cruzeiro; pelo espigão acima até o alto; descendo, o mesmo até o córrego que atravessa a rua do Alegre; por este, até atingir o rio Sapucaí-mirim e por este rio até atingir o ponto de partida, estando incluído o patrimônio de N. Sª do Rosário.

A nova Igreja matriz

Em dias do mês de Agosto de 1840, a florescente Freguesia de São Bento, com o coração transbordando de alegria, vibrando o fervoroso entusiasmo cristão que caracterizava a gente singela daquela época feliz, recebeu a visita dos frades capuchinhos: Frei Francisco, Frei Arcanjo e Frei Eugênio Maria de Gênova, que enfrentando com a calma audácia apostólica dos missionários intrépidos, a aspereza abrupta das estradas más, vieram pregar a palavra do Senhor neste risonho vale verdejante e ameno do poético Sapucaí-mirim.
A freguesia, por esse tempo, não contava mais do que um alegre punhado de casas brancas e simples que, descendo o lugar outrora chamado PALMEIRA, orlava a encosta do monte da Glória, procurando confluência com o Ribeirão, alvejando num mar esmeraldino de selva e desenrolando pelos ares plúmbeos pendões espiralados das negras chaminés, fervoroso sinal entusiástico da vida palpitante que desabrochava no meio dos azulados contrafortes bizarros.
Sombranceira, dominando a povoação erguia-se a primitiva capela branca. Também obra modesta dos afastados tempos coloniais, em cujo telhado negro, pelas claras manhãs calmosas do estio chilreavam as andorinhas bandoleiras na mais doce alacridade expansiva, enquanto o voo branco das garças quebrava a verde monotonia da VÁRZEA, quanto o sino, num doce bimbalhar sonoro e místico, expandindo uma clara alegria matinal, acordava os crentes e piedosos paroquianos do Padre Pedro Nolasco César, anunciando a missa.
Há uma alegria infantil nas provocações que se formam. O levantamento de uma cidade é como o desabrochar descuidoso da criança. Cada pedra que se levanta e cada casa que se ergue trazem um canto de alegria e de força que levanta os ânimos desvigorados e incita o homem a caminhas impávido para o futuro. Assim, quando pelos lados da Pedra do Baú surgia o sol, derramando pelo vale florescente a sua luz sugestiva e boa, havia um palpitar de vida por todos os recantos do arraial desde os chocalhos estrepitosamente sonoros de tropas de muares que partiam dos ranchos, a caminho da serra, até o chiar agudo dos carros de bois que com seus clamorosos sustenidos agudos punham uma nota bizarra, espécie de arremedo grotesco das máquinas de vapor, na grande orquestra harmoniosa do trabalho.
Já gozando talvez a faculdade mágica de atrair e prender os peregrinos, São Bento, na primitiva fase dulçorosa da sua formação, agradou seduziu e encantou os missionários capuchinhos e Frei Eugênio Maria de Genova deitou, particularmente afeiçoado, um olhar paternalmente amigo por essas casas brancas e para essa igrejinha branca que se erguiam risonhas no meio das montanhas azuis, emuralhadas de matas e amou o povo desta terra.
Foi então que se lembrou de edificar um grande templo majestoso, para perpetuar sua humilde passagem por aqui, e falou ao povo revelando sua intenção. Ao povo também começava a preocupar a pequenez da sua matriz e a ideia do frade foi entusiasticamente acatada.
Manoel Esteves de Jesus Júnior, homem abastado que com o padre o dr. João Rennó de França formava o núcleo intelectual da Freguesia, elaborou os estatutos que deveriam nortear a comissão encarregada de levantamento do templo.
Esses estatutos eram longos e se compunham de 17 artigos, principiando pelo teor seguinte:
“Os abaixo assinados, cônscios da necessidade de se edificar um novo templo em honra a glória do Glorioso Santo São Bento, a conselho do Revmo. Frei Eugênio Maria de Gênova, missionário Apostólico Capuchinho, depois de serem apresentadas ao povo pelo mesmo reverendo e a pregoados pelo Vigário Padro Pedro Nolasco César na igreja, conscienciosamente se comprometem à edificação da dita obra da Igreja Matriz, no lugar denominado PALMEIRA, da maneira seguinte: “ Aqui se seguem os 17 artigos em que se determina o número de indivíduos de que se compôs a comissão.
Deveriam edificar a igreja a todo custo, ainda que, durante a edificação morresse ou se retirasse metade ou mais da metade da comissão ( Nossos antepassados eram inabaláveis como a Pedra do Baú ). Os estatutos jamais poderiam ser revogados se as modificações viessem prejudicar a ARQUITETURA DA OBRA. Subscreveram os Estatutos: Padre Pedro Nolasco César, Frei Eugênio Maria de Gênova, Benedito Salgado César, Manuel Esteves de Jesus Júnior. Custódio Homem Azeredo, Antonio Modesto Dias, Domingos dos Santos César e Francisco da Silva.
Desde aquele memorável dia, afluíram donativos de todos os recantos dos mais remotos bairros.
O primeiro dia de trabalho foi bizarramente festivo e extraordinário. Os nossos antepassados, vestidos a rigor, com seus chapéus de pelo, enfiados nas suas primitivas casacas respeitáveis, agarraram os macetes e bateram taipas e, ao som cadência das pancadas surdas, ao fogo vivo dos entusiasmos, cantavam alegremente:
“Homem de Casaca
Não tem que fiá.
Forra mulatinha
Depois torna acativá…”
(Extraído de “O Almanch”, ano de 1915)

Somente em 16 de maio de 1853 a construção foi começada. A igreja foi construída de taipas, trabalho esse feito por mão de escravos. As paredes laterais do corpo da igreja se abrem em galerias de cinco arcos cada uma e com uma elevação que além de dispensar tribunas e dar elegância a essa parte do edifício, tornava mais arejado, espaçoso e cômodo o sagrado recinto do templo. Era toda assoalhada de madeira de boa qualidade, bem como o forro, também em madeira de lei, de forma semicircular, o qual foi feito no paroquiado do Cônego Bento Antonio de Souza Almeira, por volta de 1871, mediante subvenção do Governo Provincial e produto de loteria. O forro foi pintado de branco e a óleo.
A capela-mor, também forrada de madeira e cujo teto era côncavo, abrigava o altar-mor, feito com alguns relevos sem nenhum douramento, apenas pintado de branco e a óleo. O retábulo consistia apenas em um biombo ou parede semicircular. Era liso, de tábuas, também pintado de branco, não a óleo, mas com gesso dissolvido em cola, que com o tempo se despregou da madeira, ficando o mesmo deformado. Foi então, revestido de papel pintado e próprio para forro, em falta de melhor ornamentação. (dados de 1877)
O Sacrário era colocado em separado, por detrás, como de costume, um pouco acima da banqueta do altar-mor. Também não tinha relevos nem frisos decorados e era forrado de damasco branco.
Pia Batismal: colocada em capela própria, no pavimento térreo, ao lado direito do coro, era de madeira oleada de branco, contendo uma bacia de cobra estanhada onde se depositava a água batismal. A concha era de prata de lei, bem como os vasos dos santos óleos.
Além do altar-mor, haviam mais três altares, a saber: o de Nosso Senhor dos Passos, ao lado direito do templo, o da Senhora das Dores, à esquerda e o do Santíssimo Sacramento no fundo do corredor, do lado esquerdo da capela-mor.
A sacristia ficava do lado direito da capela-mor e era separada do resto do corredor por uma parede, com porta que abria comunicação entre essas duas paredes do templo. Era forrada de papel pintado, assoalhada e com o teto forrado de madeira oleada de branco, do mesmo que a capela-mor e a pia batismal.
Além da lâmpada de prata que pendia do forro da capela-mor e que conservava com luz dia e noite, em frente do tabernáculo, pendiam do teto do corpo da igreja três lustres de cristal: um maior que ficava no centro e outros dois menores. O maior foi doado por Cândido Ribeiro da Luz, de São Bento do Sapucaí e os outros dois, um pelo sr. Bento da Rosa Góes e outro pelo Capitão Antonio José Rennó de França, da Freguesia de Itajubá. As paredes laterais da Igreja Matriz foram construídas por fora da antiga capela, de modo que esta só foi demolida depois de coberta a nova. ( dados de 1879 )
No dia 15 de Julho de 1855, o novo templo recebeu a visita prelática de D. Antonio Joaquim de Mello e o bom do Bispo, admirando a solidez titânica do templo, concluiu que “os sambentistas, apesar de pouco progredirem, possuir uma detestável banda de música, na qual a figura destaque era PICHU e o seu bumbo, levantaram, contudo, um templo majestoso e grande, um dos maiores do bispado… ( dados de “O Almanach”)
Primeira reforma ordenada por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo da diocese de São Paulo, sendo pároco o Padre Joaquim Antonio de Siqueira.
Dom Lino foi o segundo bispo a visitar São Bento do Sapucaí e aqui esteve no ano de 1879, para tratar da saúde neste clima privilegiado.
Tendo aqui se demorado, verificou todo o estado da Igreja e seus pertences, bem como de toda a Freguesia. Os únicos documentos sobre a origem e formação da cidade foram escritos por ele, baseados em alguns documentos existentes e no depoimento de pessoas idôneas, pois o primeiro Livro do Tombo, onde deveria constar a origem da cidade, bem como da paróquia e de sua instalação na freguesia não foi encontrado em parte alguma, deduzindo-se daí que o mesmo tenha sido retirado da igreja e não tenha sido devolvido. Autorizou ao Padre Siqueira a abertura de um outro livro Tombo que passou a ser considerado o Primeiro. Neste livro, Dom Lino deixou escrita a história do início da cidade. Da paróquia e também as instruções para o pároco, no sentido de consertar a Igreja matriz e fazer algumas modificações, planos estes em que já vinha se empenhando o pe. Siqueira. Entretanto, só conseguiu dar início às obras em 1885.
No dia 21 de Outubro de 1887, Dom Lino nomeou uma comissão para tratar das obras. A comissão foi composta pelas seguintes pessoas: Tenente Francisco das Chagas Esteves Salgado; Capitão-mor José Maria Gomes; Capitão-mor Claro Homem de Azeredo e Capitão-mor José Antonio de Freitas Guimarães. A presidência da comissão coube ao Vigário, Padre Siqueira.
As principais obras realizadas foram: concerto do reboco do telhado; uma rampa de pedra e cal na base da parede externa do lado esquerdo, seguido de reboco e branqueamento, o que mais tarde se estendeu às outras paredes laterais; embelezamento da frente da igreja com abertura de janela no coro, mais duas portas laterais de igual altura e menores que a principal; abertura de mais uma porta lateral na parede externa dos corredores, para facilitar a entrada e saúda e proporcionar ao povo uma “válvula de salvação“ em caso de desastres e até de um pânico de consequências fatais.
Para essa reforma a Assembleia Legislativa liberou verbas, sendo uma de 971$00, por intermédio do Dr. Antonio Ferreira de Castilho, e uma outra de 1.229$00 que ficou retida no Tesouro do Estado, ficando a cargo da comissão o recebimento da mesma. Não consta que se tenha recebido ou não a tal verba. O total das obras ficou em mais de dois mil contos de réis.
Por volta de 1890, sendo vigário o padre Felipe Gavetosa, foi dado início à construção da torre central. Foram também colocadas as vidraças.
Procedeu-se a construção do altar-mor, que estava em banquetas, transformando-o em capela, cuja imagem principal era do Padroeiro São Bento. Em relação à imagem de São Bento, haviam duas: a menor, trazida da Capela da Guarda Velha, fui colocada na Sacristia, em nicho próprio e uma maior que ficou no altar-mor, adquirida pelo Padre Bartholomeu Tadei, em 1889. O sacrário deveria ser colocado no fundo, atrás do altar-mor e foi feito um nicho para exposição do SS Sacramento.
Durante a construção da torre central, a pia batismal foi colocada em outro ângulo, em baixo do coro, foi aberta uma porta na capela do Batistério, onde deve ficar a pia, separada por grade de madeira. Foi também adquirida uma pia de mármore com divisão para o depósito de água benta para o batismo e para o escoamento da referida água usada em cada batizado. O trabalho foi concluído em 23 de fevereiro de 1897.
Sendo vigário o padre Francisco Reale, em 1909, foi construído o altar de mármore na capela do S.S.Sacramento e a Igreja Matriz foi dividida com grades. Conforme determinação dos Bispos do Sul do País.
De todas as reformas que sofreu a Igreja Matriz, a maior delas aconteceu com a presença dos padres Carmelitas em nossa cidade. Dentre eles destacam-se: Frei Mauro de São José e Frei Serafim D’Arpino.
A comissão encarregada das obras foi formada por Frei Serafim, João Miranda, Salviano Souza e Bertolino Ferreira dos Santos.
Os trabalhos executados foram: Altares artísticos de estuque: altar-mor, altar da capela do Coração de Jesus e altar de N. Sª das Dores, Altar artístico de madeira, na capela de Santo expedito; três grades de madeira envernizadas e marmorizadas, duas pinturas a óleo de tamanho grande, uma representando a Transverbação de Santa Tereza e outra, N. Sª do Carmo; pintura de todo o corpo da igreja; um púlpito artístico, uma escada de madeira em caracol, que leva à torre; novas instalações elétrica em toda a igreja.
Os trabalhos foram inaugurados dia 16 de Julho de 1917. Durante esse período os serviços religiosos foram transferidos para a igreja de São Benedito, que funcionou como a Matriz.
Nessa mesma época foi feito todo o ladrilhamento da matriz, adquiridos bancos novos, quatro confessionários artísticos e colocados sete anjos decorativos, com 1,10m de altura, no altar-mor, do escultor Carton Piérre.
Imagens: Frei Serafim D’Arpino e outros padres Carmelitas saíram do Brasil em agosto de 1915, para atender ao chamado da Pátria ( Itália ), porém, por decreto assinado por Sua Magestada El-Rei Vitor Manuel III, em 23 de outubro de 1915, Frei Serafim e outros carmelitas descalços do Brasil foram dispensados do serviço militar por serem considerados missionários. Isto foi durante a primeira Guerra Mundial.
Voltando de Roma, Frei Serafim trouxe quatro imagens maravilhosas e grandes: Nossa senhora do Carmo, Nossa senhora das Dores, Santa Tereza e São João da Cruz. Essas imagens bentas no dia 12 de março de 1916. Houve grande solenidade neste dia, com a presença de autoridades civis e militares e grande número de fiéis.
Ainda devemos aos Carmelitas as obras externas como as duas torres laterais e o pátio da frente da matriz. Também, foi construído por Frei Mauro, auxiliado por Frei Felix Marano, o altar da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, todo feito de cimento. Esse altar foi inaugurado no dia 18 de abril de 1920.
Em 1939, sendo vigário Pe. Pedro do Valle Monteiro, a igreja Matriz sofreu uma pintura externa e, em 1956, foi trocado o telhado, sendo nessa ocasião colocadas telhas francesas, sendo também pintada.
A última reforma aconteceu em 1971, quando foi construído o novo forro e feita a pintura interna, modificando a anterior, ou seja, as pinturas a óleo nas colunas, representando alguns papas da Igreja, em forma de medalhas. Na mesma ocasião foi colocado o brasão do município no arco da nave central. Foi reformado o assoalho da torre até o sino e a escada de madeira em caracol, também construída por Frei Mauro, foi demolida e feita outra de cimento. Mudou-se a grade de madeira ( mesa de comunhão ) do altar-mor para baixo dos três degraus e posteriormente foi retirada de vez.
Foi também modificado o pátio da Igreja para a forma que se encontra hoje.

Informações colhidas dos livros do Tombo, de Jornais antigos e do Almanach de São Bento, ano de 1915/1916

De acordo com o que dispõe o artigo 142 do Decreto 13.426 de 16/03/1979, notificamos a todos os interessados que o Colegiado do Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado -, em sua sessão ordinária de 26/11/2012, Ata 1689, deliberou aprovar o parecer do Conselheiro Relator, favorável ao tombamento da igreja matriz de São Bento, situada à Praça Cônego Bento de Almeida, s/nº, no município de São Bento do Sapucaí.
Nos termos do parágrafo único do já citado artigo 142 e do artigo 146 do mesmo Decreto, a deliberação ordenando o tombamento ou a abertura do processo de tombamento assegura, desde logo, a preservação do bem até decisão final da autoridade competente, ficando, portanto, proibida qualquer intervenção que possa vir a descaracterizar a referida área, sem prévia autorização do Condephaat, podendo ser punido o descumprimento do acima disposto com as sanções penas previstas no artigo 63 da Lei Federal 9605, de 12/12/1998, as sanções administrativas previstas na Lei Estadual 10.774, de 01/03/2001, regulamentada pelo Decreto Estadual 48.439, de 21/12/2004, além das consequências de natureza civil previstas na legislação vigente.
Estabeleça-se o prazo de 15 dias para apresentação de eventual contestação, conforme disposto no artigo 143 do já citado Decreto Estadual, contados a partir do recebimento da notificação.

São Bento nasceu em Núrsia, na Itália, no ano de 480, não se sabendo quem foram seus pais e qual a profissão paterna. Sabe-se apenas que procedia de uma família nobre de Núrsia, o que impossibilita também saber o grau de nobreza de seus ancestrais.

Bento não foi um grande intelectual, não era teólogo nem erudito e, segundo alguns autores, não possuía uma extraordinária inteligência. Era antes de tudo um santo e seu carisma escapa aos conceitos humanos. Sabia o que queria e realizava aquilo a que se propunha. Foi um homem de espírito, cheio da sabedoria divina. Possuía o dom da profecia e ensinou mais pelo exemplo que por palavras. Aliás, não foi um grande pregador pela palavra, mas um evangelizador pelos atos concretos e pelo exemplo de vida que viveu. Era um homem rígido e simples, um homem de fé, oração e trabalho. Vivia e respirava na Sagrada Escritura. Estava solidamente alicerçado na Bíblia. Irradiava placidez, serenidade e calma. Tudo nele era harmonia, onde as forças atuavam na mesma direção. Em resumo: era um homem afirmativo, construtivo, amante da paz e da ordem, do trabalho e da oração. Possuía o dom de conquistar os corações pela sua humildade e simplicidade. São Bento foi ainda administrador e legislador e sua REGRA atravessou os séculos e ainda hoje norteia seus discípulos no mundo inteiro. Não foi rigorosamente o fundador de sua ordem, mas o grande legislador, o mestre da doutrina espiritual. BENTO ERA BENDITO PELO NOME E PELA GRAÇA.

No catolicismo popular, São Bento é tido como protetor contra a picada de cobras e são conhecidas várias orações que o povo rezava e ainda reza para se proteger desses ofídios.

Eis uma delas:

Água benta, São Bento,
Jesus Cristo no altar
Bicho braço que me atenta
Abaixa a cabeça
E deixa o filho de Deus passar…